Masoquismo




É a primeira vez que eu sofro de verdade. A primeira vez que tudo perdeu o sentido e eu fiquei desnorteada nesse mundo que não parece meu. É a primeira vez que a minha razão é inútil, ridícula, patética em relação ao que eu sinto e que desesperadamente parece crescer ainda mais. Talvez tenha sido a primeira vez que eu realmente tenha amado e por isso agora na possibilidade de desejar matar esse amor em mim, eu esteja matando o que me fez tão humana, tão frágil, tão verdadeira nos últimos anos.
Eu precisei aquela coragem absurda para ficar com você e precisei dela de novo para te deixar ir. Afinal, deixar ir é tão bonito, filosófico, evoluído. O problema é o depois. O problema é esse nó no meu peito que não se dissolve, que não vai embora, que não me deixa dormir. O problema é a minha vontade de voltar o tempo e aceitar mais um pouquinho do quase nada que você tinha para me dar. O problema é acreditar que existe felicidade sem você. 

Vai passar, eu sei. Essa dor vai embora. O meu amor vai embora. E um dia eu vou olhar para você sem sentir aquela centelha de esperança infantil de você perceber que me quer enlouquecidamente. E essa ideia me mata agora. Eu não queria eliminar o que eu sinto por você porque foi a coisa mais gostosa que já senti e eu me amaldiçoo por ter deixado crescer a ponto de ser assim tão desproporcional ao teu amor seguro, prático e viável. E eu sei que com a sua praticidade você vai passar por isso como se estivesse trocando um canal enquanto eu fico aqui imaginando mil maneiras para te deixar saber que eu não me aguento de saudade. Mas até a saudade passa.



1 Rompendo o asfalto:

mesquecido disse...

Esse "agora" é a pior parte. Pensando na vida como uma peça, estamos com as cortinas abertas, esperando novas histórias, personagens... Os outros, tiveram seu mérito, mas se foram. Estejamos receptivos para se sair melhor nas próximas passagens.

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