bagunça
08h15. O ônibus sai às 08h30 e ela sabe que tem que correr, mas aquelas cobertas emboladas sobre a cama de alguma forma não permitem. Nem aquelas poucas xícaras no canto da pia. Aquela patinha marcando o chão da cozinha é uma forma de tormento. Tem sido assim já faz um longo tempo. Ela vive organizando a bagunça do lado de fora pra disfarçar a interior.
Mas hoje, ela acordou bem. E ainda que a correria da semana tenha acumulado tantas coisas a limpar, ela levanta, escova os dentes após o banho e sai. Sem medo, sem hesitação. Nem um olhar furtivo pela janela. Sem pensar duas vezes. O incômodo não a tocou dessa vez. A bagunça de dentro anda tão bem, obrigada, que nada mais faz tanta diferença assim.
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1 Rompendo o asfalto:
muito bom *-*
o bom de seus textos e que passam realidade, uma boa realidade.
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