não existe palavra.

Desculpe, não deu. Passei a manhã toda pensando no que dizer. Passei horas pensando em como fazê-lo. Não é medo, não, não é. Não tenho medo de ser unilateral. O que eu queria dizer não é nada novo, não acredito que seja algo que você já não esteja cansado de saber. E também nunca liguei muito pra dizer. Mas é que com você, meu peito palpita e implora pra te contar o que vai lá dentro. Ele grita, aperta, acelera. Eu resisto. Não por medo. 
Eu até achava que era. Achava que era o receio de não saber o que fazer com o silêncio que viria depois. Achei que fosse o receio de não saber lidar com o seu olhar nervoso de quem não sabe o que dizer ou como agir. Cheguei a achar que não ia suportar sentir a sua vontade de fugir. Mas não é isso. Não mesmo. É só uma necessidade enorme de desatar o nó que eu dei e que agora me sufoca cada vez que eu olho na imensidão dos teus olhos castanhos. 
Desculpe, de novo. É que parece que você é um mundo todo que me invade em cada beijo. E logo eu, que já era tão gigante por dentro, não sei o que fazer com essa coisa toda. Eu quero guardar, mas não suporto mais.Às vezes me pergunto se você tem idéia de tudo que eu queria dizer. Será que meus olhos entregam o que a língua esconde? Ou será que até eles aprenderam a ser esquivos? Será que você sente na ponta dos meus dedos a mágica que eu queria te passar? Será que meus lábios conseguem te convencer do quanto eu quero você? 
É, eu sei. Eu não sou objetiva. Não aprendi a ser explícita, pelo menos não da forma usual. Aliás, quase nada eu sei da forma usual. E de vez em quando eu não consigo me comunicar com o resto do mundo de uma forma eficaz. Eu consigo te dizer alguma coisa? Meu silêncio te diz como o vazio de quando você se vai me dói? Meu olhar te mostra o quanto eu queria você mais perto? Minhas mãos deixam claro o quanto eu adoro cada pedaço de você? Meu sorriso te diz o quanto eu amo cada palavra que você diz?
É, bem provável que não. Bem provável que eu não consiga. Bem provável que eu não saiba como te mostrar algo tão grande. É que tem coisas que não cabem no meu vocabulário. Tem coisas para as quais não existem palavras que dêem conta.
De qualquer forma, eu preciso dizer. Mesmo que isso seja apenas um milésimo do que na verdade existe em mim. Mesmo que me irrite a idéia de ser assim tão difícil te deixar saber. Preciso dizer, ainda que você não se importe. Desculpe, é que não cabe mais em mim. Não cabe mais em mim a explosão que é te AMAR TANTO.

4 Rompendo o asfalto:

Natália Corrêa disse...

Nem sempre é preciso dizer tudo.
Tentar dizer já diz tanta coisa...

Eduardo Campagnoli disse...

O pior de tudo é você se matar por dentro, lutando pra conseguir achar as palavras mais próximas do sentimento, e, quando consegue o seu melhor, vem esse silêncio aí, acabando de vez com qualquer ponta de compreensão que se tinha da pessoa. É ou não é?

Fran disse...

O silêncio também diz muita coisa...

Thais disse...

"É que parece que você é um mundo todo que me invade em cada beijo. E logo eu, que já era tão gigante por dentro, não sei o que fazer com essa coisa toda."

Juro que não sei como você faz essas coisas ficarem tão bonitas.

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