Baú.

foto de Augusto Peixoto

Encaixotei. Como havia planejado, lacrei cada sentimento: guardei tudo.
Guardei, mas é claro que pensei em jogar fora, rasgar, queimar. Guardei, porque tenho síndrome de esquilo. Coloquei no fundo de um baú esquecido no porão construído lá num canto da minha mente. Guardei tão bem guardado que já até esqueci.
Já não quero mais as coisas que tínhamos; guardei as antigas surpresas, as coisas que me faziam lembrar disso ou daquilo. Os planos antigos e alguns poucos novos. As risadas mentidas. As tentativas. As estratégias. Meus olhares vazios nas noites cheias de solidão. Os dias de olhos borrados. As mensagens fingidas. Os sermões e todo o tempo de espera.
Não quero mais isso não.
Eu quero é sorriso escapulindo, borboletas no estômago, novidades. Quero vento no cabelo, poesia e um pouco mais de tudo.

0 Rompendo o asfalto:

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