Nina.

Você veio de surpresa num dia ensolarado de tédio e preguiça. Tão pequena, tão frágil, tão minha. E tudo foi tão rápido. Num instante lá estava você agarradinha na minha roupa, chorando pelo meu colo, suplicando minha atenção. E eu tão nervosa, correndo para casa pra ficar contigo. E tudo foi tão rápido.
Como pode uma coisinha assim, tão minúscula, trazer tanta alegria e bagunça e cansaço e sorrisos e dor? Como pode você, tão pequena, sofrer assim, e tudo tão de repente... e tudo tão rápido. Quando 3 dias são como três meses, eu chamo de intensidade, mas com você as coisas não cabem nas palavras. Sem você, essa dor não cabe em mim.
Me despedir quando tudo o que eu queria era sentir tuas unhas cravadas na minha calça jeans. Me despedir quando eu queria passar mais uma noite com você cochilando no meu pescoço. Me despedir quando na verdade você estava em mim. Eu tive três dias e eu queria tanto um pouco mais. Um pouquinho mais de um tempo, um pouquinho mais de você. E talvez assim sobrasse um pouquinho mais de mim, porque eu não me sinto mais desde que eu saí a esmo carregando a caixa vazia. A caixa tem seus furos, mas ainda não dá pra respirar. Desculpa, Nina, eu estou tentando. Estou tentando desesperadamente liberar você, mas está dolorido demais.

0 Rompendo o asfalto:

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