como fosse vidro.


Às vezes me iludo achando saber. Não sei. E quanto mais perto da certeza as coisas me levam, mas desnorteada estou. A vida é frágil como fosse vidro. E nessa fusão com tudo o que vivo me faço envidraçada também. Aparência sólida, embora transparente. Frágil apesar de tudo.

O vidro me rodeia. Parece-me que vejo embaçado e sinto vontade de romper a vidraça, ainda que me cortem os dedos e o peito. Mas cortar pode ser bom. Cortar deixaria sair de mim aquilo que vai no fundo, na origem dessa minha existência frágil e confusa. Mas quebrar a vidraça me levaria a uma super exposição e eu não sei se aguento.

O vidro quer se fazer familiar, mas resisto. Não quero mais deixar a vida passar por trás da falsa transparência. A vida através do vidro não é o que eu quero. A novela por trás das telas, a falsa intimidade gravada nos monitores, a vida exposta como não fosse preciosa.

O vidro quer se fazer familiar, mas resisto.

2 Rompendo o asfalto:

Hariane disse...

Ai ai depois de tanto tempo sem me deliciar com seus escritos.Cá estou eu...

A vida é assim quando mais nos envolvemos, menos entendemos nossas contradições. Lidar com elas, às vezes, parece impossível " o vidro quer se fazer familiar". Resista, mas se sentir vontade de romper a vidraça vá adiante e faça.

Maravilhoso!!!
Esta é a Nathy que conheço e vou sentir mtas saudades!

Tássia Pellegrini (Tanna) disse...

"Às vezes me iludo achando saber. Não sei. E quanto mais perto da certeza as coisas me levam, mas desnorteada estou. A vida é frágil como fosse vidro. E nessa fusão com tudo o que vivo me faço envidraçada também. Aparência sólida, embora transparente. Frágil apesar de tudo."

Achei isso tão sincero... Como sempre, acabo por me identificar bastante com seus textos. E esse ar de "resistência" felizmente têm me perseguido, e espero que rompa o texto e persiga você também :)

ótimo texto!

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