maybe someday

Will you ever be able to love me
As much as you once did?
As much as you once loved somebody else?
The passionate you
Got stuck somewhere in past
Got stuck on someone back there?

I miss something I never had
I miss the passion which was never allowed
Not for me
Sometimes I feel you love me
Only because it's convenient
I miss the desire
The impulse, the incoherence

I can't wait much longer
For you to make up your mind
Are you gonna keep your boundaries?
Or are you gonna be all mine?

prosa e poesia


você é prosa
eu poesia
você é fato
eu fantasia
incompatíveis
desde o primeiro dia
eu sei, meu bem,
eu sempre soube
você me olhou
e eu já sabia

 mesmo assim
 sigo fazendo verso
que é pra ver se um dia
(quem sabe um dia)
a minha inspiração te inunde
quem sabe um dia a tua prosa
com a minha poesia se funde
quem sabe meu sim seja mais
quem sabe meu não seja mais
quem sabe a gente seja mais
e quem sabe o adeus fique pra trás?

você não ouviu

eu disse -
mesmo em silêncio -
que eu queria mais

eu sussurrei -
mesmo que com os olhos -
que faltava amor

eu tentei -
mesmo sem força -
construir memória

eu gritei -
mesmo gargalhando -
que eu queria uma história

e você não ouviu

eu esperei surpresas
e me sufoquei de rotina

eu me enchi de futuro
mas não havia passado

e eu teria sido sua - sempre sua
não fosse o amor trocado


eu desejei mudanças
e me enchi de promessas

eu segui acreditando
que era possível

mas agora eu duvido:
estou cheia de mim
estou cheia de você
tentando criar um nós
onde não houve espaço e tempo
para desatar os nós de outro momento.

e eu te falei
mesmo sem palavras
que faltava muito
pra gente ser amor
eu te falei que ser feliz
era abandonar a minha dor
e você me dói
mas isso eu te contei -
desde o início -
você é que não ouviu

a literatura de nós dois


estou cansada de brincar de contrários
cansei do nosso amor barroco
que complica mais que diz:
é muita palavra dizendo o oposto
é muito silêncio que contradiz

a idealização do romantismo, eu sei, nos pesa
nada de altar e perfeição.
começamos tortos demais,
intensos demais
para caber numa declaração -
seja ela de amor ou de anulação

a transgressão do modernismo
é liberdade demais,
é espaço demais
e somos medrosos:
 queremos algo a que nos prender.
será esse nosso erro?
pés presos no passado
com discursos voltados para o futuro?
incoerência, insegurança e incerteza
disfarçadas de relacionamento "maduro"?

arte pela arte
amor pelo amor:
era para ser simples
mas inventamos dificuldade
mas alimentamos a dor

Eu quero me jogar - por inteiro-
na imensidão dos sentidos
e a tua pontuação me limita.
E eu sei que sou toda conflito:
quero libertação da métrica,
mas ainda preciso da rima.
somos contemporâneos
mas ainda buscamos sentido
ainda buscamos sintonia

Eu vejo riqueza no assimétrico
Eu vejo beleza no inesperado
Eu acredito em nós
mesmo que sejamos antíteses...
queremos estar juntos
mas cada um do seu lado

apesar da loucura, eu acredito
há beleza no infinito
me diz que também acredita
mesmo que seja só fantasia.




insecure mess



I'm an insecure mess
heart and mind
giving me 
the most freaking confusing signs

I let the ghosts in
once again
and they make me hurt
they make me mad
they make me regret
all the moments we didn't have

But to be really honest -
the ghosts -
they have never left
and I just didn't know
how strong they were
how loved they were
until she was "back"

and I caught myself 
wishing to be her
wishing to have what she had
wishing to be forever yours
and painfully wishing you wanted
to be forever mine
and nothing, nothing in this world 
could hurt me more

That love was supposed to be mine
That " forever" was supposed to be mine
You were supposed to be mine, all mine
Right?

Not sure I can understand
Not sure I can stand the pain
Not sure I want to.

over the line

you keep telling me I'm too passionate
and I keep wondering if there's any other way
of living life to the fullest

I know you think I overreact:
I make too much noise
I get too involved
I'm too abstract

I know I disturb your peace:
I demand, I insist
I invade your space
I'm in your blacklist


I think you might have different dreams
different limits
different expectations...
yeah, I guess so.


and I'm really sorry

that I just can't fit 
in your perfect idea...
is it better to split? 

I wish you understood
I can't take a sip
I can't have a piece
I can't accept a part
not when I can have it all
not when  it might be the last call




unsaid



I was just hoping you'd stay around
and I remember, quite vividly
to have tried to tell you something about
but then I realised I couldn't make any sound
I was voiceless, although giving you all the signs
for you to get what I was in need of
for you to read between the lines

Life is too practical, though
and you hung up saying you should go
and all those words got stuck in my head
and their bitter taste joined me in the bed.

Distância

Eu me afasto por amor. Por amor a você que precisa de espaço para lidar com as suas próprias dores e angústias. Por amor a você que precisa caminhar sozinho, ainda que perdido, para dar valor aos seus passos. Me afasto por amor a sua capacidade de ser melhor. Eu me afasto por amor a mim. Me afasto porque não tomo mais para mim aquilo que não me cabe, não assumo mais as frustrações que você insiste em alimentar. Me afasto porque é aprendendo a me amar que eu te amo. O meu amor me afasta de você porque não posso mais ficar parada esperando você se mover. Não posso deixar de caminhar porque você fincou seus pés naquilo que te dói. Eu sei que soa egoísta, mas a minha distância é o que eu tenho de mais puro para você.

Não mais.



Enquanto aluna eu via na escola uma chance para mudar o meu mundo. Eu via em cada livro, em cada bom professor, em cada elogio um instrumento para colorir a minha história. Ali era o meu espaço. Ali eu me sabia capaz de ser arco-íris. E foi assim que eu decidi me tornar professora. Eu queria ser ferramenta para outras pinturas.

Tristemente, hoje ando cinza.  O sistema me arrancou os lápis de cor que eu carregava com tanto esmero. O desinteresse dos meus alunos derrubou todas as minhas tintas e as cobranças inúteis esfumaçaram meus desenhos pueris e inocentes. Eu cheguei cheia de sonhos num espaço-tempo que me pede crueza e indiferença para sobreviver. Querem me arrancar as palavras com que faço poesia. Querem censurar as minhas cores e os meus pincéis. Querem que eu mergulhe num cinzento que me sufoca e me pedem que eu aprenda a respirar quando o meu peito se entope de tristeza e desilusão.

Quantas vezes eu peço com os olhos, que a minha voz já não tem vez, que me deixem com o vermelho fogo ou pelo menos com o amarelo sol... E tudo o que eu encontro é não. Um NÃO que ricocheteia pelos meus vazios fazendo estrondo nos cantos da alma. E o pior é o silêncio abismal que me vem depois. Um silêncio que me toma toda e me preenche de amargura, levando embora todos os tons do meu eu.

Acontece que eu não quero mais suportar essa realidade. Não quero mais ter de tolerar o cinza. Não quero mais esconder as minhas cores na escuridão dos outros... Não quero mais. Não mais.

Masoquismo




É a primeira vez que eu sofro de verdade. A primeira vez que tudo perdeu o sentido e eu fiquei desnorteada nesse mundo que não parece meu. É a primeira vez que a minha razão é inútil, ridícula, patética em relação ao que eu sinto e que desesperadamente parece crescer ainda mais. Talvez tenha sido a primeira vez que eu realmente tenha amado e por isso agora na possibilidade de desejar matar esse amor em mim, eu esteja matando o que me fez tão humana, tão frágil, tão verdadeira nos últimos anos.
Eu precisei aquela coragem absurda para ficar com você e precisei dela de novo para te deixar ir. Afinal, deixar ir é tão bonito, filosófico, evoluído. O problema é o depois. O problema é esse nó no meu peito que não se dissolve, que não vai embora, que não me deixa dormir. O problema é a minha vontade de voltar o tempo e aceitar mais um pouquinho do quase nada que você tinha para me dar. O problema é acreditar que existe felicidade sem você. 

Vai passar, eu sei. Essa dor vai embora. O meu amor vai embora. E um dia eu vou olhar para você sem sentir aquela centelha de esperança infantil de você perceber que me quer enlouquecidamente. E essa ideia me mata agora. Eu não queria eliminar o que eu sinto por você porque foi a coisa mais gostosa que já senti e eu me amaldiçoo por ter deixado crescer a ponto de ser assim tão desproporcional ao teu amor seguro, prático e viável. E eu sei que com a sua praticidade você vai passar por isso como se estivesse trocando um canal enquanto eu fico aqui imaginando mil maneiras para te deixar saber que eu não me aguento de saudade. Mas até a saudade passa.



Japan will tear us apart




É, menina. A gente tentou. A gente fez de tudo para ignorar essas distâncias cada vez maiores e essas novas vidas que nos levam para caminhos tão diferentes. Não deu. Primeiro foi uma distância pouquinha, e eu saía de Petrópolis feliz da vida para fazer parte da tua vida no Rio. Você fazia o mesmo. Mas aí veio aquela notícia assustadora de que você ia se meter lá no interior do RS e o meu coração deu voltas de tristeza. E ainda dá. Mas e daí, né? A gente tinha a internet e uma vida um pouco menos atribulada. Era o dia inteiro no skype e dava até para juntar dinheiro para arriscar uma viagem de três dias de ônibus para ganhar o abraço mais gostoso do mundo. Eu me divertia com você apesar de qualquer quilometragem que estivesse contra a nossa amizade. Nós fizemos até clube do livro, sessões de cinema e cafés filosóficos com aquela distância toda. A gente riu, brincou, brigou e se magoou. O que prova que estávamos conseguindo ser amigas como  sempre fomos. Daí vem a vida de palhaçada comigo de novo e te arrasta para PORTUGAL. Sério: na época eu estava muito chateada com você, mas nada disso me impediu de passar uma semana chorando toda vez que pensava que você estava fora do meu campo de tentativas. Mas você foi. Foi viver novas experiências, conhecer novas culturas, trabalhar como louca, beijar feito louca. E eu ainda estava lá... esporadicamente te encontrando online para colocar as angústias, os amores, as alegrias e as carências em dia. E você esperava para burlar as regras dos teus horários e dos teus patrões. Estivemos juntas, de um jeito ou de outro, quando "ele" foi embora. E senti que você segurava a minha mão mesmo tão distante para acalmar o meu choro e diluir a minha culpa e o meu remorso. Você mandou e-mails diários para mostrar que se importava e que em você também doía. E você foi a única que me fez sorrir naqueles tempos difíceis. Você foi a única que entendeu. Você foi a única que me fez achar que valia a pena continuar.  E eu dormia tarde fofocando com você muito de vez em quando sem poder medir o quanto você me fazia feliz. 

E agora ... JAPÃO, THAÍS? Logo o Japão?  

Acontece que não bastava toda a distância além-mar. Não bastavam todas as dificuldades que a gente enfrentou para manter essa amizade funcionando. Não bastava minha falta de dinheiro para te visitar e a tua falta de dinheiro para voltar. Por que a gente tinha de ser tão ferrada assim, hein?


Agora você vai para o outro lado do mundo e os nossos horários vão ser mais desencontrados que os meus pensamentos. Nossas risadas vão ser mais raras. Nossas brincadeiras mais escassas. Minha saudade mais absurda e meu amor mais triste. É, Thaís, eu te amo, guria, e você não tinha o direito de me deixar desamparada nesse mundo louco que é tão pior sem você por perto. Você não podia, mas deve. E você vai ser feliz, muito feliz e eu vou torcer muito por você por aqui. Eu, o Chico e o Caio. E "que seja doce!"

Mais Platão, por favor.


    Você me tocou levemente e disse: A fila. Eu distraída com o livro e você sem graça de interromper meu sorriso bobo. Paixão imediata. É que você me olhou com tanta doçura e eu quis te abraçar e sentir teu cheiro mesmo sem saber teu nome. Mas não tinha tempo nem loucura suficiente para isso e eu entrei no ônibus buscando um lugar pra esconder meu coração trêmulo de adrenalina. 
    Você buscou meus olhos ao procurar um lugar vazio e se sentou ao alcance da minha imaginação. E eu te levei a um piquenique, à minha livraria preferida no Rio e te declamei o poema do Leminski que me faz gargalhar. Eu deitei no seu colo e chorei minhas angústias. Você beijou meus olhos e ficou em silêncio segurando minha mão enquanto deixava aquela nossa música do Chico tocar. Meu Deus e eu te amei tanto que quis me casar com você. Quis acordar com teu sussurro e te levar café na cama. Quis contar para todo o mundo como eu gostava das marcas no seu rosto, de como a cor dos teus cabelos era linda e de como o teu sorriso era absurdamente sedutor. Quis discutir a nova cor do quarto e a marca da ração dos gatos.Eu quis  brigar sobre o nome da menina e fazer a sobremesa do almoço em família. Eu pensei em mil maneiras de te dizer o que sentia e eu pensei nas datas especiais e na euforia do altar. Eu quis você com tanta entrega e verdade e urgência que eu não nunca poderia te ter, entende? 

Os meus sonhos eram longos, mas a viagem curta. Você levantou e me olhou daquele jeito inseguro que pede uma confirmação para arriscar. Eu baixei os olhos. Desculpa, mas não quero me dar a chance de descobrir que você não é o amor da minha vida. Deixa assim. Eu quero mais Platão e menos Prozac. 

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