Japan will tear us apart




É, menina. A gente tentou. A gente fez de tudo para ignorar essas distâncias cada vez maiores e essas novas vidas que nos levam para caminhos tão diferentes. Não deu. Primeiro foi uma distância pouquinha, e eu saía de Petrópolis feliz da vida para fazer parte da tua vida no Rio. Você fazia o mesmo. Mas aí veio aquela notícia assustadora de que você ia se meter lá no interior do RS e o meu coração deu voltas de tristeza. E ainda dá. Mas e daí, né? A gente tinha a internet e uma vida um pouco menos atribulada. Era o dia inteiro no skype e dava até para juntar dinheiro para arriscar uma viagem de três dias de ônibus para ganhar o abraço mais gostoso do mundo. Eu me divertia com você apesar de qualquer quilometragem que estivesse contra a nossa amizade. Nós fizemos até clube do livro, sessões de cinema e cafés filosóficos com aquela distância toda. A gente riu, brincou, brigou e se magoou. O que prova que estávamos conseguindo ser amigas como  sempre fomos. Daí vem a vida de palhaçada comigo de novo e te arrasta para PORTUGAL. Sério: na época eu estava muito chateada com você, mas nada disso me impediu de passar uma semana chorando toda vez que pensava que você estava fora do meu campo de tentativas. Mas você foi. Foi viver novas experiências, conhecer novas culturas, trabalhar como louca, beijar feito louca. E eu ainda estava lá... esporadicamente te encontrando online para colocar as angústias, os amores, as alegrias e as carências em dia. E você esperava para burlar as regras dos teus horários e dos teus patrões. Estivemos juntas, de um jeito ou de outro, quando "ele" foi embora. E senti que você segurava a minha mão mesmo tão distante para acalmar o meu choro e diluir a minha culpa e o meu remorso. Você mandou e-mails diários para mostrar que se importava e que em você também doía. E você foi a única que me fez sorrir naqueles tempos difíceis. Você foi a única que entendeu. Você foi a única que me fez achar que valia a pena continuar.  E eu dormia tarde fofocando com você muito de vez em quando sem poder medir o quanto você me fazia feliz. 

E agora ... JAPÃO, THAÍS? Logo o Japão?  

Acontece que não bastava toda a distância além-mar. Não bastavam todas as dificuldades que a gente enfrentou para manter essa amizade funcionando. Não bastava minha falta de dinheiro para te visitar e a tua falta de dinheiro para voltar. Por que a gente tinha de ser tão ferrada assim, hein?


Agora você vai para o outro lado do mundo e os nossos horários vão ser mais desencontrados que os meus pensamentos. Nossas risadas vão ser mais raras. Nossas brincadeiras mais escassas. Minha saudade mais absurda e meu amor mais triste. É, Thaís, eu te amo, guria, e você não tinha o direito de me deixar desamparada nesse mundo louco que é tão pior sem você por perto. Você não podia, mas deve. E você vai ser feliz, muito feliz e eu vou torcer muito por você por aqui. Eu, o Chico e o Caio. E "que seja doce!"

Mais Platão, por favor.


    Você me tocou levemente e disse: A fila. Eu distraída com o livro e você sem graça de interromper meu sorriso bobo. Paixão imediata. É que você me olhou com tanta doçura e eu quis te abraçar e sentir teu cheiro mesmo sem saber teu nome. Mas não tinha tempo nem loucura suficiente para isso e eu entrei no ônibus buscando um lugar pra esconder meu coração trêmulo de adrenalina. 
    Você buscou meus olhos ao procurar um lugar vazio e se sentou ao alcance da minha imaginação. E eu te levei a um piquenique, à minha livraria preferida no Rio e te declamei o poema do Leminski que me faz gargalhar. Eu deitei no seu colo e chorei minhas angústias. Você beijou meus olhos e ficou em silêncio segurando minha mão enquanto deixava aquela nossa música do Chico tocar. Meu Deus e eu te amei tanto que quis me casar com você. Quis acordar com teu sussurro e te levar café na cama. Quis contar para todo o mundo como eu gostava das marcas no seu rosto, de como a cor dos teus cabelos era linda e de como o teu sorriso era absurdamente sedutor. Quis discutir a nova cor do quarto e a marca da ração dos gatos.Eu quis  brigar sobre o nome da menina e fazer a sobremesa do almoço em família. Eu pensei em mil maneiras de te dizer o que sentia e eu pensei nas datas especiais e na euforia do altar. Eu quis você com tanta entrega e verdade e urgência que eu não nunca poderia te ter, entende? 

Os meus sonhos eram longos, mas a viagem curta. Você levantou e me olhou daquele jeito inseguro que pede uma confirmação para arriscar. Eu baixei os olhos. Desculpa, mas não quero me dar a chance de descobrir que você não é o amor da minha vida. Deixa assim. Eu quero mais Platão e menos Prozac. 

Inside out

Inside out
that's how I feel
when you get this closer

Nothing's real
but the will to touch you all over

Hope you know
Despite my silence
There's so much to say

Hope you know
Despite my tranquility
There's a beast getting away

Inside out
My feelings showing in my breathing
Desire's coming out
ready to make you give in

Pra minha saudade maior

Eu preciso dos seus conselhos nada sábios e pouco lúcidos e por isso detesto muito que você esteja tão longe e que não possa me abraçar agorinha. Tenho vontade de te odiar porque sou egoísta e queria que você tivesse sido louca e ficado no Brasil. Queria que você tivesse mudado pra cá, que você não tivesse respeitado o tempo que pedi pra nossa amizade. Queria que você tivesse me forçado a ser menos racional. Ou emotiva, sei lá. Queria você aqui pra dizer: eu sabia. Pra rir da minha miséria, pra me dar um tapa na cara e me fazer levantar e tomar um café pra não esquecer que a vida também é amarga. Pra me arrancar de perto da estante, pra sacudir os meus lençóis, tão cheios de lembranças. Queria você aqui com cara de zangada me segurando a vassoura e me mandando colocar ordem na casa. Queria você para dizer que vai passar e que vai ser mais rápido com as nossas risadas. Quero que você desfaça todos esses nós e segure a caixa de lenços. Mas que também me mande parar e me diga que eu sou horrorosa quando choro.E quero que ria da minha cara vermelha e me chame de rena. Quero tua insanidade de quem conhece o lado desconfigurado e que acha lindo ser tão intenso. Quero aqui comigo a única pessoa que verdadeiramente sempre me entendeu e que segurou a minha mão quando tudo parecia ser uma grandessíssima merda. Trate de se materializar, Thais, que a minha matéria anda frágil demais sem você. 

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Como se escreve o vazio?

Vem.

Desculpa todas as vezes que eu camuflei meu amor em sorrisos bobos, ou desviei os olhos encarando o chão. Perdoa quando eu mudo de assunto, mesmo querendo fincar meus olhos nos teus e ouvir teu amor em silêncio. Porque na verdade, não estou falando de palavras apenas. São desejos, explosões e verdades abrigadas nas palavras que teimam em não chegar aos teus ouvidos. Cansei da covardia. Então cá estou eu, despindo medos e inseguranças; deixando cicatrizes e vergonhas de lado para te dizer. E é difícil. É difícil demais e é por isso que às vezes eu te aperto na esperança de desfazer os meus nós. Te escrevo tentando dissolver os meus limites. Te ouço para deixar minha alma em paz. Mas cá estou eu. Estou aqui só pra te dizer. Sou toda eu nesse momento com a vida e meu amor me doendo nos poros só pra que você saiba que eu quero que você venha. Simplesmente venha, que o resto não precisa de palavras.

Estilhaço

   Acordei despedaçada. Estilhaços de mim espalhados pela cama, vestígios no travesseiro, resquícios pelos cantos do quarto. Acordei desnorteada. Pedaços perdidos e confusos tentando buscar um ponto de encontro. Lembranças amassadas e desejos embrulhados no lençol. Certezas pisoteadas pelo corredor e incertezas emaranhadas no cabelo. Falha minha deixar você se ocupar de cada espaço meu. Falha minha não controlar, não evitar. Falha minha perder a hora, os medos e os segredos.

   Esqueci da minha filosofia homeopática e me enchi de você como quem não conhece limites. Bebi de você como quem quer esquecer mágoas inventadas. Me aninhei como se pudesse sempre voltar. Fiz de você o sol em tempo de friagem. Água em tempo de estiagem. Adormeci em você minhas histórias para ouvi-las no silêncio do teu olhar.

    Acordei espalhada buscando o centro, o núcleo, o fundo. Acordei e me assustei com os buracos no meu peito. Acordei entre cacos porque a saudade explodiu em mim quando percebi que você não estava ao meu lado. Acordei procurando os pedaços que deixei você levar na mala.

Egoísmo

 O meu amor é um tanto egoísta. Eu te amo porque foi impossível não me apaixonar por quem eu sou quando estou com você. 

Ebulição

olhando de fora não se vê
não se pode ver que lá dentro,
onde você faz mais falta,
o coração levado ao fogo alto
entrou em ebulição.

Saudade em pauta.
Solidão de sobra.
Desejo em combustão.

Ingredientes perfeitos
para uma infinidade de inspiração.

banho-maria

Tentei. Tentei mesmo não me ocupar da tua ausência, mas não deu. Eu ando dormindo mal sem a tua ligação de boa noite e acordo com saudade das tuas mãos no meu corpo. Estou com uma saudade imensurável de tudo que tem a ver com você e por mais que te irrite saber que essa distância me deixa assim do lado de cá, não posso mesmo ficar me escondendo isso. Não é saudável. Você tem medo de que eu fique infeliz por aqui e você não quer sentir culpa de forma alguma por estar se divertindo. OK. Só quero que você saiba que se tem alguma coisa que eu não sinto é tristeza. É só saudade. Saudade em banho-maria esperando você voltar. É saudade extrapolando meu corpo e fugindo pelos olhos. É saudade nas minhas palavras rasteiras. É so saudade, mas é tanta saudade que não cabe mais em mim.




só dele.

Por completo

Você se vai e uma parte minha te acompanha:
o pedaço que vê no mínimo de tudo
uma razão pra ser radiante
No entanto, sobra-me a outra parte
Uma parte que não sabe lidar com o silêncio
Não entende o vazio da cama
Nem o telefone que não toca
É uma parte que arranha
os poros, os sentidos, os motivos e as certezas

Um universo de pequenos detritos
Pedaços meus que ficam perdidos no teu sorriso
e entre teus lábios
e presos no teu suor
Pequenas faíscas de mim
que não aceitam a tua ausência
que não querem limites
tampouco abstinência
daquilo que lhes dá a cor e o tom

Você se vai e tudo que sobra
são partes que isoladas não fazem sentido
Centelhas que carregam o medo do abismo
e o desejo enorme de te ter agora.

Eu espero que por aquela porta
você traga de volta, de leve, de mansinho
o pedaço de mim que deixei no teu caminho.

(sem) controle

De tanto segurar as lágrimas (sabe como é... você sempre diz que a estética vem em primeiro lugar), a alma é que ficou inchada de tanto chorar. Desculpe, é que tenho o imperdoável defeito de sentir demais e a saudade antecipada de você queria transbordar.

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